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| longos fios de perolas falsas, Chanel muda |
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Por uma questão de puro pré-conceito sócio cultural, no ano de 1873, com a indústria se desenvolvendo a todo vapor, é criada na França a primeira câmara sindical da bijuteria, fato este que ocorreu para separar fabricantes de jóias que utilizavam materiais alternativos, na maioria das vezes surgidos através das novas tecnologias da época, daqueles que produziam a joalheria clássica com ouro, prata, platina e pedras preciosas, considerada como alta joalheria. A partir daí houve uma cisão em dois seguimentos distintos: os que praticavam a até então conhecida como baixa joalheria passaram a ser denominados como produtores de “bijou de fantaisie” e o termo “joaillerie” somente a aqueles que praticavam e produziam a chamada alta joalheria.
Esta distensão marcou profundamente a nossa noção atual de joalheria. Isto fez com que a joalheria clássica adotasse comportamento fiel ao repertório altamente conservador no que se refere à estética e as técnicas de produção, enquanto que a “bijuteria”, apesar dos condicionantes de sua produção industrial, esteve na vanguarda da criação e experimentação, fazendo uso não só de novos materiais e tecnologias que surgiam a cada momento, mas também andando lado a lado, na busca de entender e atender aos anseios e a sensibilidade estética do ser humano a cada época.
A joalheria alternativa, assim vamos chamar este novo seguimento que surge na industria do ornamento, por fazer uso de novos materiais, principalmente industrializados, invadem o universo da alta costura, a chamada jóia de costura (bijou de couture).
O ornamento passa nessa época a ser desenhado pelo próprio costureiro, que faz suas encomendas a artesões e também a nova industria. Ícones desta época: Coco Chanel (1883-1971) e Elsa Schiaparelli (1890-1973). Chanel, na década de 1920, desenvolve linha de ornamentos de inspiração arcaica como grandes cruzes bizantinas e longos fios de pérolas falsas, provocando um efeito de luxo intenso quando usados sobre seus trajes bastante sóbrios(CODINA,Carles)
A grande contribuição de Coco Chanel foi mudar a concepção da produção da industria de “bijou de fantaisie” que até então, e por longo período se dedicava a produzir peças apenas para bailes de máscaras e atrizes de teatro, para produzirem jóias para serem usadas nas ruas, no dia a dia. A partir de Chanel esta “Nova joalheria” adquire um tom de atrevimento e modernidade.
Já a italiana Elsa Schiaparelli, de ascendência nobre esteve ligada à vanguarda das artes, tendo colaborado estreitamente com Salvador Dali e Meret Oppenhein.
Nos anos 1920, com o fim da primeira grande guerra, a sociedade põe se aberta a novos ideais, é um momento de grande criatividade por que passa a humanidade. Neste momento novamente há uma certa convergência dos dois seguimentos em que o mundo da joalheria foi fragmentado, tanto no uso de novos materiais industriais que surgiam, entre os quais a laca e os cristais pelos joalheiros clássicos, e a baquelite transformada em ornamentos multicoloridos pelos fabricantes da joalheria alternativa, esta convergência também se dá no tocante à utilização de máquinas, em seus processos produtivos . (CODINA, Carles)
Vale lembrar que as Jóias confeccionadas em materiais alternativos neste período, com certeza influenciaram as jóias folheadas que conhecemos atualmente.
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